Ideologias políticas: pacifismo

O pacifismo é uma tipologia de opinião ideológica, fundada na convicção de que os conflitos entre comunidades ou facções no interior de uma mesma comunidade, devem ser resolvidos sem recorrer ao poder militar.

Portanto, a recusa, mais categórica, expressa pelos partidários do pacifismo é contra a guerra, isto é, um grupo organizado entre etnias, estados ou culturas que conduza pela força, por razões econômicas, aquisição de território, obtenção de superioridade e domínio, ou outras razões, é combatido por vários indivíduos daqueles que o cercam, e - em grande parte - suportado por ainda várias pessoas. Em todas as outras formas de violência, ela teria que parar caso a caso, com o risco de generalizar e, portanto, banalizar o conceito. Na medida em que, convém evitar qualquer paralelo entre as situações interpessoais de guerra e conflitos, aspecto, este, bastante enganador dentro dos argumentos sobre as oportunidades das diversas estratégias de resolução de conflitos. A única semelhança encontrada entre um conflito de guerra e um interpessoal reside na constatação de que - como na política internacional - a maior parte dos conflitos interpessoais não se resolvem de forma alguma com a violência, mas de formas pacíficas.

Ou seja, não só o pacifista pensa que a paz é a melhor opção do ponto de vista moral: ele/ela pensa que é também funcional, isto é - banalmente - que convém mais, se o objetivo é resolver um conflito.

Outro elemento importante a se considerar é a variedade e o grau de eficácia das estratégias de luta pacifistas: não é raro a opinião que, partindo do célebre exemplo de Gandhi, não seja exemplo importante de um pacifismo eficiente. Na verdade, a imagem é muito diferente e toca muitas circunstâncias e contextos, por tempos e maneiras. Alguns exemplos esparsos:

Durante a II Guerra Mundial, no dia seguinte da ocupação alemã à Noruega, as escolas se opuseram à resistência não violenta aos nazistas. Os alemães impuseram sua carta didática em 1941: o ensino impressionou, apoio de pais, alunos e das igrejas. Milhares de professores foram para prisões e mandados aos campos de concentração, no norte do país. Centenas foram torturadas, mas pelo menos cederão.Em 1942 veio a libertação e nesse mesmo outono as escolas reabriram sem os programas nazistas.
Na Dinamarca, sempre durante o nazismo, quando as leis raciais eram proclamadas, todas as pessoas se opunham. Quando foi dada a ordem para escrever "Judeus" nas vitrines das lojas hebraicas, todos os comerciantes - inclusive os não hebreus - escreveram. Quando foi colocada a estrela amarela ao hebraico, toda a população, a começar pelo rei, se formou igualmente. Ao final, a Dinamarca pode se orgulhar da porcentagem e do número mais baixos de hebreus deportados para campos de concentração na segunda guerra mundial.

Durante o século XIX, na Hungria dominada pela Áustria, as igrejas protestantes sofreram uma dura repressão. Contra processos para prender bispos e pastores, os estudantes fizeram manifestações de solidariedade, em silêncio total e vestidos de preto. Todo o povo fez resistência não violenta pela independência do país. Foram boicotados os produtos não austríacos e ninguém pagou os impostos. Em 1866, o imperador Francisco Giuseppe

introduziu o recrutamento militar para a guerra contra a Prússia: ninguém se apresentou. Em 1867, a Hungria obteve a independência.

Ainda no século XIX, a Noruega obteve a independência da Suécia exclusivamente com meios não violentos, sobretudo pela mediação fundamental do posteriormente Prêmio Nobel, Fridtjof Nansen.
Os exemplos citados pertencem a situações substancialmente já precipitadas, que no passado fizeram jus a ideia de pacifismo como iríamos entender, mas, à tentativa de se resolver conflitos foram acrescentados dois contextos principais:

Aqueles em que meios não violentos (diplomacia, manifestações, tratar o outro como você) evitaram 'na via preventiva' que uma situação saísse do controle. Essa parcela de acontecimentos foi considerada a maior força do pacifismo, ainda que menos eclatante;
aqueles em que o uso da guerra, como o exemplo Israel - Palestina, tem se mostrado incapaz de resolver o conflito (são pecados demasiadamente paradigmáticos), colocando mais que outro para atar a complexa rede de interesses econômicos que gira em torno da indústria bélica.

A tensão entre os partidários da paz e os partidários do conflito armado hoje é substituída por uma forma de contraste aparentemente mais tênue, mas na verdade muito semelhante. A nível prettamente dialético, a velha figura do 'guerrafondaio' está provavelmente passando ao fim da Segunda Guerra Mundial, substituída por aquela mais delgada do partidário do mal necessário, que é de quem pensa que determinadas situações alcançam tal estado de deterioração que só podem ser dolorosamente resolvidos com um conflito armado.


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